E era sabádo, estava destinado irmos passear, chegamos a Elvas e deixei de ligar as habituais conversas dos meus pais. Decidi meter os fones nos ouvidos, telemóvel na mão. Deixei de estar ali com a cabeça, só via estrada, carros, casas, verde (árvores), tudo e mais alguma coisa, não sei porquê mas passou-me tanta coisa na cabeça, tantos engenhos, tanta "merda", tanta tristeza, tanta magóa, aí, sei-lá. A minha mãe disse que me chamou tanta vez nem uma eu respondi, não sei, não sei o porque. Lembro-me e é só da única coisa que me lembro, o meu pai a dizer: "Ela, não está aqui, não nos ouve, e estou a ficar preocupado!" e eu respondi: "Eu estou aqui, estou a ouvir-vos, fiquem descansados isto passa, mãe e pai, eu amo-vos". Não sei porque, mas lembro-me destas pequenas coisas, destas palavras. O que me vai na alma só eu sei, se cheguei tarde eu estou arrependida. Lembro-me da minha operação o braço, o quanto vocês choraram, e fizeram para eu ficar melhor, as forças que vocês me retribuiram, os presentes para eu não chorar, e nem uma única vez eu disse um "obrigado". Agora que já passou tanto tempo, eu decidi escrever este pequeno texto, para agradecer, para as pessoas verem que os meus pais são os melhores. São eles, que são a minha vida.
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