sexta-feira, 2 de setembro de 2011

dad.

Lembras-te do ano passado? Vinhas sempre bater-me a porta do quarto a dizer que chegas-te e davas-me um beijinho na bochecha, e ficavas uns dez a quinze minutos aqui comigo, olhavas-me o tempo todo e nem falavas, quando te ias embora olhavas-me nos olhos e davas-me um beijo na testa e dizias precisamente como me sentia naquele dia e eu gostava. Mas isto são apenas memórias, agora tenho que me contentar a ouvir bater a porta de casa, não tens a noção o quanto isto me deita a baixo e me consegue meter a chorar. São lágrimas de saudade e de dor, sim, isto magoa-me saber que não temos a mesma ligação por coisas pequenas. Tu adoçavas-me o coração e fazias-me sorrir como ninguém é capaz de fazer, dizias-me que era o teu orgulho e sorrias para mim e hoje, só posso olhar para o passado e lembrar isso. Como é que as coisas em um ano mudam tanto?  Eu via-me em ti, nada me deitava a baixo e tinha sempre novidades para ti, agora tenho que guardar estas novidades para mim, tu ouvias-me da forma mais carinhosa e dizias sempre no fim "sabes que o pai está aqui para te ajudar em tudo" e eu sentia-me protegida da melhor forma. Hoje, hoje fico contente por saber que pelo menos há um dia que não nos chatiamos e ainda sorris para mim, não da mesma forma mas sorris. Sinto-me mal com tudo isto, porque sei que só eu a esforçar-me para as coisas melhorarem não vamos ser capaz, temos que ser ambos a lutar, mas tu agora decidis-te não fazer isso e magoar-me mais do que a uns meses atrás. Eu amo-te e tenho saudades tuas, sim mesmo tuas, não de o pai que te estás a tornar.

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